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Odisseias Fantásticas http://fantasticas.odisseias.net Porque nada melhor que uma odisseia no fantástico pt-pt Mon, 21 May 2012 02:50:08 +0000 PHPBridges 0.6 http://fantasticas.odisseias.net Odisseias Fantásticas <![CDATA[As Leituras do Corvo :: Golias (Scott Westerfeld)]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8054 As Leituras do Corvo
golias.jpg
De volta ao Leviatã é incerto quanto ao seu papel na aeronave, Alek não sente que esteja a ser de qualquer utilidade para o seu objectivo de acabar com a guerra. Mas tudo muda quando uma mensagem do czar os leva até à Sibéria, onde encontram o excêntrico Nikola Tesla. Este afirma ter construído uma arma capaz de devastar uma cidade à distância e que a existência dessa arma bastará para persuadir as nações à paz. Mas há quem diga que, mais que excêntrico, Tesla é louco e o auxílio prestado por Alek pode vir a deixá-lo numa situação desconfortável. E, como se a situação não fosse já delicada o suficiente, Alek toma, finalmente, conhecimento do segredo de Deryn... e não é o único.
Um ritmo cativante e cheio de acção, mas com bastante atenção aos pormenores que caracterizam o cenário em que as personagens se movem, são, tal como nos volumes anteriores, os principais elementos a destacar-se ao longo da leitura. Mais uma vez, o autor expande o cenário global, introduzindo novos países e as características que os diferenciam relativamente aos já conhecidos, sem por isso perder de vista a história principal e os seus protagonistas. Há, aliás, uma intensidade que vai crescendo ao longo da narrativa e que culminará com um final bastante forte, tanto do ponto de vista da história dos protagonistas, como das mudanças operadas sobre o cenário de guerra. Não é uma resolução definitiva - como não poderia ser, tendo em conta que, independentemente da importância de um deles, são apenas duas pessoas num cenário bastante maior - mas é uma mudança considerável e que, como tal, representa um final satisfatório e adequado.
Há também uma evolução interessante a nível das circunstâncias que ligam os dois protagonistas. A revelação do segredo de Deryn e as circunstâncias complicadas em que este coloca tanto Deryn como o próprio Alek permitem uma maior ligação emocional às personagens, aumentando uma empatia que é já natural pelo que caracteriza as personalidades de ambos. Cria-se, também, com este lado mais emotivo, um interessante equilíbrio para toda a história: ao incerto conflito entre clankers e darwinistas junta-se uma história de improvável e afecto entre um rapaz e uma rapariga que, aparentemente, não poderiam ter mais diferenças a separá-los. Aos elementos do enredo que são mais centrados na acção, juntam-se momentos mais pessoais e emocionais que tornam a história e as personagens mais próximas do leitor.
Envolvente, com um cenário fascinante, personagens carismáticas e uma história que junta as medidas certas de acção, mistério e emoção, Golias encerra em beleza uma série com muito de interessante para descobrir. Um final muito bem conseguido e um livro todo ele muito bom.
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As Leituras do Corvo Sun, 20 May 2012 14:58:27 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8054
<![CDATA[As Leituras do Corvo :: Memórias de um Caçador de Vampiros (Ardo Antas)]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8055 As Leituras do Corvo
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A perda dos pais quando duas vampiras o escolheram para vítima e a consequente aprendizagem sob a tutela de Jimmy Storm fizeram do jovem Rick Chambers um caçador implacável. Para ele, e para a sociedade a que pertence, o confronto entre humanos e vampiros é uma guerra sem fim e é essa guerra que o leva a percorrer longas distâncias em busca das suas presas. Esta é a história das suas aventuras e de como, a cada nova missão, o jovem assustado que se transformou num caçador temível, sempre encontra algo novo para aprender - e uma dura prova a superar.
Algo que, desde o início, chama a atenção neste livro é a forma como, primeiro na sua história pessoal e depois na concretização das missões, a personalidade de Rick Chambers é apresentada como sempre cativante e constantemente em evolução. Se, da criança que subitamente se vê orfã ao caçador que percorre o país para pôr fim à existência dos vampiros, vai, a nível de força, uma distância considerável, também é certo que os pontos que criam empatia para com Rick nunca se perdem. É, aliás, curioso ver a forma como o protagonista parece querer distanciar-se de tudo o que seja sentimentalismo, sendo, ainda assim, evidente a sua capacidade de empatia e de compaixão. 
Trata-se, portanto, de um protagonista carismático para uma história envolvente e cheia de acção. Mas nem só de Rick vive a história e os aliados que encontra em cada uma das suas aventuras são elementos fulcrais para o seu sucesso. São também uma fonte de informação para o que é, afinal, um sistema bastante mais complexo do que parecia inicialmente. Os vampiros desta história são os clássicos predadores, com pouco ou nada de humano, mas as razões - e até mesmo as crenças - que os regem são bastante mais vastas do que a simples necessidade de alimento. O que me leva ao outro ponto forte deste livro, que é precisamente a forma como o autor cruza uma série de lendas e aspectos mitológicos, para criar um sistema bastante interessante para o mundo dos seus vampiros. Desde os mitos associados aos espelhos à possibilidade de ressuscitação de um vampiro destruído, há muito de interessante para descobrir neste sistema, o que justifica, em certa medida, a necessidade de sociedades secretas para combater um inimigo que é muito mais que um simples predador.
Cativante, com um bom protagonista e uma série de aventuras interessantes, Memórias de um Caçador de Vampiros apresenta uma história envolvente, desenvolvida a um ritmo agradável e com alguns elementos particularmente interessantes. Uma boa história, portanto.
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As Leituras do Corvo Sun, 20 May 2012 14:30:21 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8055
<![CDATA[Correio do Fantástico :: Lobisomens e distribuidores de pizzas]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8053 Correio do Fantástico

Dog Mendonça e Pizzaboy já contam com dois volumes editados e eu quero mais.
Um lobisomem, um demónio, um bocado de uma gárgula e um distribuidor de pizzas mais um conjunto de clichés e desenhos de excelente qualidade é o que estas BD’s nos prometem.
Acredito que muitos pensem que BD é cara mas neste caso a qualidade compensa o dinheiro gasto.
No primeiro volume temos como base a ideia de que durante a II Guerra Mundial, todas as criaturas sobrenaturais procuraram abrigo em Portugal, mas entre eles um quer poder e começa a preparar o seu regresso na sua versão zombie. Não vou dizer quem é, mas dou uma pista: se souberem alemão é fixe.
Com o segundo volume vimos o regresso dos nossos amigos para combater, ainda que um pouco contrariados, o Apocalipse e a chegada do anti-Cristo. Momento brilhate da BD? Digamos que envolve a explicação para as aparições de uma “Senhora” em Portugal.

A história em si não é a coisa mais original. Na verdade é um conjunto de clichés mas estão tão bem trabalhados que só nos dá vontade de rir. Ri, chorei (de rir), rebolei (ok não cheguei a tanto mas vontade não me faltou) e as páginas voaram. No fim fiquei triste porque tinha acabado.

Se têm curiosidade basta então encontrar estes dois meninos e dedicar-lhes um par de horas das vossas vidas.


Filed under: BD, Fantástico ]]>
Pantapuff Sun, 20 May 2012 13:12:43 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8053
<![CDATA[Bela Lugosi is Dead :: Crítica: O Cadáver Trocista]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8051 Bela Lugosi is Dead

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Anita Blake está de volta ao mercado literário português. A animadora e caçadora de vampiros que cativou em Prazeres Inconfessos (ler crítica) continua as suas aventuras num mundo onde os seres sobrenaturais existem e coabitam com humanos.

Em O Cadáver Trocista, o segundo volume desta saga de autoria de Laurell K. Hamilton, Anita volta a ver a sua vida em risco. Tudo começa quando o seu chefe a acompanha a uma estranha proposta de trabalho. Harold Gaynor, um homem poderoso, pretende contratar os serviços de animadora da nossa heroína para convocar um morto com centenas de anos. Para que tal seja possível Anita não poderá recorrer aos habituais sacrifícios de galinhas ou cabras, mas sim a um humano, o que a leva a declinar a proposta.

No mesmo dia, a animadora é chamada a um cenário de crime horrendo. A Executora depara-se com dois corpos desfeitos, trabalho que apenas poderia ter sido feito por um zombie. Contudo, é de conhecimento geral que os zombies são seres apáticos, mas que obedecem a qualquer ordem de quem os convocou. Como tal, Anita decidi visitar Dominga Salvador, mestre temível na arte do vudu. A partir daqui, a jovem caçadora de vampiros vê-se envolvida num meio que não compreende totalmente e que vai, com certeza, contra os valores que possui.

Uma leitura bastante agradável que prende desde a primeira página. Laurell K. Hamilton narra esta história na primeira pessoa, o que é uma boa opção quando tem uma personagem como Anita no papel de protagonista. A narrativa está repleta de momentos de ação e de humor negro, o que atenua as situações mais violentas.

Anita continua a surpreender, com uma personalidade forte e muito focado nos seus objetivos e valores. Não é a heroína habitual dos romances sobrenaturais que se perdem em devaneios sentimentais e em dúvidas amorosas, mas sim uma mulher prática, que acredita no bem maior, que possui um agradável sentido de humor e uma sensualidade característica.

A escrita é simples, fácil de acompanhar e transporta o leitor para uma história que proporciona um bom momento de entretenimento.

Um livro agradável que vai fazer as delícias dos fãs do género. – Cláudia Sérgio

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Título original: The Laughing Corpse (2002)

Autor: Laurell K. Hamilton
Tradutor: Leonor Marques
Editora: Asa (2011)


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Bela Lugosi is Dead Sat, 19 May 2012 20:07:11 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8051
<![CDATA[Rascunhos :: Esta semana]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8052 Rascunhos

12-05-2012

- Melros de Asa Vermelha – Bruce Holland Rogers (A Lâmpada Mágica)

- El Efecto Cibeles – Yoss (A Lâmpada Mágica)

- A Erva Vermelha – Boris Vian (A Lâmpada Mágica)

- The Morganville Vampires, Volume 3 – Rachel Caine (Livros, livros e mais livros)

13-05-2012

- O Último Parente de Justino – Jaime Rocha (A Lâmpada Mágica)

- Insurgent – Veronica Roth (Bookeater / Booklover)

- O Perraultimato – Filipe Faria (As Histórias de Elphaba)

- O Perraultimato – Filipe Faria (As Leituras do Corvo)

-  Death is a Lonely Business – Ray Bradbury (Que a Estante nos Caia em Cima)

14-05-2012

- Rubix – Ana Rita Pereira (As Leituras do Corvo)

- Relatório Minoritário - Philip K. Dick (Que a Estante nos Caia em Cima)

15-05-2012

- Ensaio sobre a Lucidez – José Saramago (A Lâmpada Mágica)

16-05-2012

- A Peste Negra – Gomes Leal (A Lâmpada Mágica)

- A Fenda – Doris Lessing (Floresta de Livros)

- The Great Big Beautiful Tomorrow – Cory Doctorow (Intergalacticrobot)

- Star-wars: O Império Contra-ataca – Donald F. Glut (Ler y Criticar)

- Cruz de ossos – Patricia Briggs (Tales of Gondwana)

17-05-2012

- Segredo de Prata – Patricia Briggs (Bookeater / Booklover)

- O Monstro de Florença – Douglas Preston e Mario Spezi (Ler y Criticar)

- Texas Gothic - Rosemary Clement-Moore (Livros, livros e mais livros)

- A Verdadeira Invasão dos Marcianos - João Barreiros (Que a Estante nos Caia em Cima)

19-05-2012

- Divergente – Veronica Roth (Pedacinho Literário)

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Para além das críticas

- Uma má capa de SF (Intergalacticrobot)

- Os dois Pratts (Cadernos de Daath)


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Cristina Alves Sat, 19 May 2012 19:31:11 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8052
<![CDATA[Bela Lugosi is Dead :: Curta-metragem: Disassembled]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8049 Bela Lugosi is Dead
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Mais um divertido trabalho de Junaid Chundrigar (Sheeped Away).

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Bela Lugosi is Dead Sat, 19 May 2012 10:24:44 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8049
<![CDATA[Bela Lugosi is Dead :: “Borro-me de medo de bananas”]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8050 Bela Lugosi is Dead
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“A bananofobia é uma condição real e aparentemente pode ser tão severa que as pessoas que dela padecem não conseguem sequer andar pela secção da fruta no supermercado lá do bairro sem entrar em pânico. Isso intrigou-nos, por isso ligámos a uma bananalista que nos explicou que, à semelhança do que acontece com as outras fobias, o medo de bananas tem origem em experiências traumáticas do passado.”

Este delicioso texto é da autoria de Milene Larsson, que decidiu “conversar com alguns bananofóbicos reais para saber mais sobre esta curiosa condição anti-banana”. A entrevista pode ser lida na integra na Vice.


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Bela Lugosi is Dead Sat, 19 May 2012 10:23:33 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8050
<![CDATA[Rascunhos :: As extraordinárias aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8048 Rascunhos

O primeiro volume das aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy destacou-se tanto pelo aspecto gráfico como pela boa disposição. A história era engraçada, divertida e leve, com algumas piadas que a ajudaram a tornar uma experiência agradável. Este segundo volume tentou seguir a mesma fórmula, a meu ver com menos sucesso.

Uma praga de gafanhotos é o primeiro sinal do Apocalipse que se aproxima e claro que os heróis não poderiam ficar de braços cruzados. Seguindo as pistas fornecidas por um padre, reúnem todos os elementos da primeira aventura e viajam até Fátima, para falar com Nossa Senhora. Depois de uma conversa pouco reveladora os heróis retornam a Lisboa onde assistem aos restantes sinais do Fim do Mundo, procurando uma forma de parar a catástrofe.

Tal como o primeiro também este volume se destaca pelo visual estimulante. As imagens onde quase sempre predomina uma cor captam a nossa atenção. No entanto, achei a história desta segunda aventura bastante mais fraca – o texto rareia assim como as piadas entre personagens que conferiam o papel mais leve e engraçado.Talvez por me ter faltado o texto, reparei bastante mais nos pedaços de história que nada acrescentaram, e constituíram acções desnecessárias.

No fim este volume deixou-me a sensação de algo engraçado, mas esquecível, de qualidade abaixo do volume anteiror.

 


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Cristina Alves Sat, 19 May 2012 00:02:22 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8048
<![CDATA[As Leituras do Corvo :: Passatempo A Cruz de Esmeraldas]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8047 As Leituras do Corvo

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O blogue As Leituras do Corvo, em parceria com a autora Cristina Torrão, tem para oferecer dois exemplares do livro A Cruz de Esmeraldas. Para participar basta responder às seguintes questões:

1. Em que século decorre a acção deste livro?
2. Qual o título da obra que a autora disponibilizou recentemente, em formato electrónico, no seu blogue?
3. Que outras obras publicou a autora?

Regras do Passatempo:
- O passatempo decorrerá até às 23:59 do dia 26 de Maio. Respostas posteriores não serão consideradas.
- Para participar deverão enviar as respostas para carianmoonlight@gmail.com, juntamente com os dados pessoais (nome e morada);
- O vencedor será sorteado aleatoriamente entre as participações válidas;
- Os vencedores serão contactados por email e o resultado será anunciado no blogue;
- Após o envio do livro, o blogue não se responsabiliza pelo possível extravio do livro no correio;
- Só se aceitarão participações de residentes em Portugal e apenas uma por participante e residência.


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As Leituras do Corvo Fri, 18 May 2012 16:14:35 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8047
<![CDATA[As Leituras do Corvo :: Idades (Ana Wiesenberger)]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8046 As Leituras do Corvo
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Um percurso pelas memórias através das diferentes fases da vida, com imagens ora de uma simplicidade enternecedora, ora de uma vaga nostalgia, passando ainda pela percepção das mudanças que o tempo operou sobre o mundo em volta. É esta a linha essencial deste conjunto de poemas, em que as ideias se juntam ao ritmo do pensamento para criar, em torno de um ponto central que é, em suma, a recordação, uma série de imagens interessantes e envolventes.
Ao ter como elementos comuns à vasta maioria dos poemas a memória e a passagem do tempo, é inevitável que estes poemas se destaquem, em grande medida, pelo registo pessoal. São principalmente os sentimentos a sobressair enquanto se reflecte sobre as recordações e as mudanças, o que fica e o que se perdeu. Ainda assim, há também um toque de ambiguidade que faz com que essas mesmas memórias não se tornem demasiado específicas, permitindo a quem lê identificar-se com o sentimento ou com a experiência do sujeito poético. Até porque de aprendizagem e crescimento se fazem todos os percursos de vida e a saudade associada ao acto de recordar é algo de quase inevitável - e que surge também como um elo central ao longo de muitos dos poemas deste livro.
Interessante também é a forma como, sem grandes mudanças a nível estrutural, há um evidente contraste entre a simplicidade de alguns dos poemas (mais centrados no concreto e nas recordações de eventos e cenários) e o lado mais elaborado que, por vezes, evoca imagens completamente inesperadas. Em comum a todos eles, há um lado emocional e introspectivo que traz à memória aqueles elementos familiares com que cada leitor se pode identificar.
Breve, mas agradável e de ler e envolvente tanto pela fluidez das palavras como pela sensibilidade que se evidencia no conteúdo, Idades cativa pelo lado pessoal e, ao mesmo tempo, empático da viagem que percorre no mundo da recordação. Gostei de ler.
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As Leituras do Corvo Fri, 18 May 2012 15:58:20 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8046
<![CDATA[Bela Lugosi is Dead :: Crítica: Eu Sou Deus]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8045 Bela Lugosi is Dead
Eu+Sou+Deus.JPGA cidade de Nova Iorque volta a viver um verdadeiro pesadelo. Edifícios aleatórios estão a ser demolidos através de estranhas explosões, o que coloca em risco qualquer pessoa em qualquer lugar. Vivien Light, uma jovem e destemida detetive com uma história familiar repleta de sofrimento, é encarregada de descobrir a identidade do serial killer e assassino de massas. Sem esperar, Vivien vê-se obrigada a partilhar a investigação com Russel Wade, um jovem repórter fotográfico que foi obrigado a devolver um prémio Pulitzer e que acredita ver a sua salvação na resolução deste mistério.

Depois de a Contraponto ter apresentado o autor aos leitores portugueses com Eu Mato (ler crítica), a editora volta a apostar em Faletti, com um novo e surpreendente policial.

Com uma trama bem conseguida, o leitor só vai querer largar o livro quando tudo estiver desvendado. É que se no início o autor dá indicações da identidade do vilão da narrativa, a verdade é que tal revela ser um belo truque que distrai atenções. Faletti leva a acreditar que deu todas as pistas necessárias para a descoberta da verdade por escondidas pelos crimes, mas, nas últimas páginas, o jogo é virado ao contrário e surpreende.

Mas se Eu Sou Deus possui acontecimentos deliciosos, tais acabam por perder alguma da sua força devido às personagens. Vivien Light e Russel Wade são interessantes, mas apenas enquanto analisados separadamente. Vivien é a imagem da mulher que sentiu necessidade de construir uma carreira sólida para ser valorizada, enquanto Russel é o homem inconformado por não conseguir preencher um vazio que a vida lhe deixou. Ambos têm histórias impressionantes, mas a relação que construem não convence. O leitor percebe que não era necessário existirem desenvolvimentos tão rápidos nesta relação.

Mas a verdade é que o ponto fulcral é a ação e esta vai com certeza agradar. A escrita é fácil de acompanhar e bastante simples, o que leva o leitor a perceber tudo o que lhe é transmitido, mesmo conceitos mais técnicos.

Destaco ainda o facto de o autor demonstrar preocupação em explicar o que leva as suas personagens a cometerem atos tão cruéis. A história fica, sem dúvida mais rica, e poderá gerar sentimentos de compaixão por quem pratica a crueldade para com o outro.

Giorgio Faletti, que esteve recentemente em Portugal para lançar esta mesma obra no Instituto Italiano de Cultura de Lisboa, volta a provar que é um homem de muitos talentos, e de que a escrita é, sem dúvida, um deles. – Cláudia Sérgio

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Título original: Io Sono Dio (2009)

Autor: Giorgio Faletti
Tradutor: Sara Ludovico
Editora: Contraponto (2012)



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Bela Lugosi is Dead Thu, 17 May 2012 17:35:34 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8045
<![CDATA[As Leituras do Corvo :: Somos Todos Um Bocado Ciganos (Manuel Jorge Marmelo)]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8044 As Leituras do Corvo
Somos_Ciganos2.jpg
É difícil pensar no Grande Circo Romani como "o maior espectáculo do mundo", tendo em conta que os artistas não são propriamente os mais fantásticos e que as condições em que trabalham são bastante precárias. Mas a situação está em vias de piorar, com a queda que envia um dos artistas para o hospital e o ataque que leva à morte do burro cantor da companhia. Agora, o futuro do circo é incerto e mais incerto parece aos olhos do adolescente que observa, pequeno como o seu papel na companhia, que tem um sonho que está cada vez mais longe de se realizar e que não compreende quando lhe dizem que se transformou num homem.
Um dos aspectos mais interessantes deste livro é a forma como, numa narrativa que é relativamente breve, é possível discernir várias histórias possíveis. A história do narrador e protagonista, enquanto rapaz em crescimento, com todos os ideais e sonhos impossíveis que se vão desvanecendo com a perda da inocência, cruza-se com a história do circo como um todo, mas também com a de Ricardo e Cristiana e de como o acidente mudou as suas vidas e ainda com a do assassino do burro cantor. Todos estes elementos são desenvolvidos de forma sucinta e, contudo, completa, pois as descobertas do protagonista surgem também em ligação com a história dos que o rodeiam e o resultado é uma narrativa que surpreende tanto pela inesperada complexidade como pela imagem precisa de como o crescimento é não só uma aprendizagem mas também um processo de moldagem da personalidade.
Também a escrita reflecte na perfeição os dilemas e o crescimento do protagonista. Fluída e envolvente, representa com mestria um ritmo de pensamento que parece adequar-se, em todos os aspectos, quer à idade quer ao percurso de descoberta do narrador que conta a sua história. Além disso, a aprendizagem que caracteriza o seu caminho - e, no fundo, grande parte desta história - evolui tanto com as questões que ficam resolvidas em definitivo como com as respostas que nunca chegam a surgir. Como na vida, nem tudo tem uma solução global e ficam sempre coisas por esclarecer, mas todos os pontos essenciais são explorados e as grandes questões da vida estão todas elas presentes ao longo da história. Questões como o preconceito e como lidar com ele, o amor e o sacrifício pela pessoa amada, o impulso e as consequências de fazer justiça pelas próprias mãos... Tudo isto é abordado neste livro e fazê-lo através da visão bastante directa do jovem narrador permite deixar uma impressão particularmente nítida do papel destes assuntos na história.
Este é, pois, um livro que marca tanto pela envolvência da escrita e pela empatia que o protagonista parece despertar como pela forma directa com que as várias possíveis histórias e as principais questões a estas associadas se desenvolvem. Cativante e surpreendente, um livro pequeno, mas muito, muito bom.
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As Leituras do Corvo Thu, 17 May 2012 15:29:21 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8044
<![CDATA[As Leituras do Corvo :: Novidade Quetzal]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8043 As Leituras do Corvo

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Uma Casa para Mr. Biswas é um dos primeiros e mais importantes trabalhos de ficção de V.S. Naipaul e o romance que mais fez pelo conhecimento geral da sua obra. 

Nascido no lado errado da vida e atirado para o mundo que o acolheu com pouco mais do que um mau presságio, Mohun Biswas passou 46 anos da sua vida a lutar por ser independente. Mas a determinação e o esforço apenas levaram à calamidade. 
Arremessado de um lado para o outro após o afogamento do pai (pelo qual foi inadvertidamente responsável), Biswas anseia por um lugar a que possa chamar a sua casa. Entrave a este desígnio é também a família da mulher que o mantém numa relação de dependência. Mas contra isso também Biswas irá desdobrar-se em trabalhos, lutando arduamente pela compra de uma casa própria – o símbolo da sua autonomia.
Comovente e cómico,  Uma Casa para Mr. Biswas tem sido aclamado um dos melhores romances do século XX. Nele evoca-se maravilhosamente – através da demanda de um homem – o triunfo da resistência, persistência e dignidade num mundo pós-colonial.

V.S. Naipaul nasceu nas Caraíbas (em Trinidad) em 1932, no seio de uma família de origem indiana. Em 1950 foi estudar para Inglaterra com uma bolsa. Após os primeiros quatro anos na Universidade de Oxford, começou a escrever, actividade a que,desde então, se dedica ininterruptamente: entre o romance e o ensaio, Naipaul publicou mais de uma vintena de livros, alguns dos quais serão em breve publicados pela Quetzal (que, em 2011, também publicou A Curva do Rio). Em 1971 V.S. Naipaul foi galardoado com o Booker Prize e, em 2001, com o Prémio Nobel da Literatura.
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As Leituras do Corvo Thu, 17 May 2012 14:59:57 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8043
<![CDATA[As Leituras do Corvo :: Novidade Esfera dos Livros]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8042 As Leituras do Corvo

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Já não é só por simples curiosidade, interesse ou desejo de aumentar a cultura geral (embora também seja por tudo isso): para compreendermos o mundo aparentemente louco em que vivemos, o conhecimento da nossa história tornou-se uma questão de sobrevivência, um bem de primeira necessidade.
João Ferreira, investigou e descobriu que a história de Portugal e do mundo está cheia de episódios fantásticos, brutais, manhosos, picantes ou mesmo bizarros, capazes de atrair as atenções e de ajudar a perceber como nos tornámos.
Este livro conta algumas dessas histórias, dá nomes e caras aos protagonistas (reis, tiranos, heróis, traidores, espiões, bandidos - tudo gente de carne e osso)e explica o contexto em que decorreram os factos.

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As Leituras do Corvo Thu, 17 May 2012 11:38:52 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8042
<![CDATA[As Leituras do Corvo :: A Mulher-Casa (Tânia Ganho)]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8041 As Leituras do Corvo
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Mara é uma modista de chapéus, que, com a mudança para Paris, espera conseguir tornar-se um pouco mais conhecida. Thomas, o marido, acaba de se tornar o responsável pelos discursos do Ministro e espera estar no caminho de uma ascensão fulgurante a nível profissional. Ao chegar a Paris, ambos têm sonhos e inúmeros planos de futuro em mente... Mas a realidade sempre foge ao esperado. Enquanto a carreira de Thomas começa a evoluir no sentido esperado, a de Mara começa a decair. A trabalhar em casa e, em simultâneo, a ter de lidar com as dificuldades de ser mãe, com o temperamento subitamente ríspido do marido e com a sensação de estar sozinha num lugar a que não pertence, o sonho começa a dar lugar à desilusão e a uma solitária melancolia. Mas tudo muda quando o seu caminho se cruza com o de um dos cozinheiros. Matthéo atrai-a, pois permite-lhe sentir o que já não encontra na vida familiar. Mas o que pesa mais: a paixão ou a lealdade?
Esta é uma história em que nada é fácil. Nada é perfeito na vida real e a história de Mara e de Thomas representa isso de forma muito completa. Nem nos protagonistas nem nas personagens que os rodeiam há uma só figura que seja a preto e branco, ou sequer em que os valores se destaquem claramente acima dos defeitos. Na verdade, em algumas delas, o que acontece é precisamente o contrário. Todas as personagens têm elementos de empatia e situações que revelam o seu lado detestável e, no centro de tudo isto, Mara e Thomas representam o máximo detalhe desta inevitável ambiguidade de características. Mara é uma mulher sozinha na companhia da família (o que não é tão contraditório como poderá parecer), em luta para se manter fiel a si mesma, mas duvidando dos que a rodeiam, quando não mesmo de si própria, ao ver os sonhos ruir numa realidade aquém das expectativas. É uma mulher com os seus valores e com as suas transgressões, carismática, mas frágil, capaz, mas falível. Na sua história, as semelhanças e as diferenças que tem para com o marido, por vezes terno, por vezes indiferente a tudo excepto a carreira, ocasionalmente incapaz de aceitar um não, criam um claríssimo contraste de personalidades, ao mesmo tempo que criam um retrato complexo tanto da vida familiar como das dificuldades na vida a dois, com todas as suas complexidades e desvios.
A escrita é envolvente, com um equilíbrio muito bem conseguido entre a caracterização das personagens e cenários, o lado introspectivo associado principalmente a Mara e um retrato particularmente preciso das atribulações da vida política, no qual é impossível não ver alguns paralelismos com situações relativamente recentes da nossa realidade. Há, do início ao fim, uma fluidez cativante nas palavras, um ritmo ora directo, ora poético, que cria, principalmente no tal lado introspectivo, algo com que o leitor se pode identificar. Há, em suma, beleza na escrita, tal como a há no enredo.
Esta é, ainda, uma história de amor, mas bem longe do amor romântico e idealizado. Em A Mulher-Casa, os problemas e os obstáculos são tão evidentes como os sonhos e os ideais. Na história de Mara, há tanto de afecto como de melancolia, de impulso como de hesitação. E é esta complexidade de sentimentos e de situações que a faz uma história tão próxima, tão real, que fica na memória bem depois de terminada a leitura. 
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As Leituras do Corvo Wed, 16 May 2012 16:43:42 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8041
<![CDATA[As Leituras do Corvo :: Contos Consentidos (António de Souza-Cardoso)]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8040 As Leituras do Corvo
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Histórias dos sentidos, com sentidos e sentimentos presentes, são o que constitui este pequeno livro. Histórias de gestos quotidianos e de vidas que se percorrem em poucas páginas, mas que tanto cativam pelas pequenas surpresas como pela envolvência de uma escrita sucinta, mas em que nada de essencial é deixado por dizer. São contos de vidas que podiam ser reais e basta o breve Prefácio de Miguel Esteves Cardoso para, numa breve visão pessoal da obra, despertar curiosidade para o rumo destas histórias.
E o primeiro conto é A Garça-Real, história da vida e dos amores de um duriense. Centrado no ambiente e nos gestos do quotidiano, é breve o relato dos acontecimentos. Marca, ainda assim, a fluidez com que a escrita reflecte a naturalidade da passagem pela vida, culminando num final enternecedor.
Segue-se Nunca há paz!, história de um triângulo amoroso e da morte de um dos seus elementos. Envolvente, ainda que alguns dos eventos sejam narrados de forma demasiado sucinta, também aqui marca a presença de uma visão da vida enquanto efémera e naturalmente fluída. Seria interessante ver um maior desenvolvimento de alguns acontecimentos, mas é uma boa história, ainda assim.
O Banquete é a história de um cavalheiro com aversão a compromissos e com um invulgar fascínio pela arte de bem comer. Com uma caracterização muito completa, ainda que algo distante, do protagonista e das suas predilecções, este é um conto de ritmo pausado e bastante descritivo, principalmente no que toca aos pormenores culinários. É, apesar disso, uma história sempre envolvente e com um final particularmente marcante.
Lavanda e Malva trata de regressos e das memórias e estes associadas, num sentimento que prevalece através do tempo. Gestos e recordações são descritos em tom de divagação, alternando entre os dois protagonistas, no que se torna uma história de leitura envolvente e com um final muito bom.
Seguem-se os contos mais marcantes do livro. O Silvo, história do crescimento de um órfão, desenvolve-se de forma simples, mas envolvente e evocando uma certa ternura. Cativante e com um final particularmente marcante, representa na perfeição o ciclo da vida, com os pequenos sucessos e as grandes perdas que o definem. Por sua vez, Os Panadinhos tem como base um homem, uma mulher e uma mentira inocente, numa história breve, mas de leitura agradável e com um final surpreendente.
Terminados os contos, surge Sinto muito!, o posfácio em que Manuel Serrão complementa, falando do autor, o que da obra foi dito no prefácio.
O que fica da leitura destes Contos Consentidos é, portanto, a ideia global de um conjunto de histórias relativamente simples, mas que espelham com precisão os lugares e as figuras que os protagonizam, em episódios e vidas que poderiam ser as de qualquer personalidade real. É também isto que os torna interessantes e envolventes. É isto, em suma, que faz desta obra uma boa leitura.
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As Leituras do Corvo Wed, 16 May 2012 16:05:30 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8040
<![CDATA[Cadernos de Daath :: Os dois Pratts]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8039 Cadernos de Daath
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Acaba de ser lançado um novo fanzine de homenagens Efeméride, criação de Geraldes Lino, insigne divulgador, editor e investigador de banda desenhada, dedicada às mais importantes personagens do universo bedéfilo. Este novo número é dedicado a Corto Maltese, criado pelo autor italiano Hugo Pratt, e conta com bandas desenhadas de diversos autores portugueses.

Participei em conjunto com o desenhador Jorge Coelho, numa história escrita por mim e intitulada Os Dois Pratts: uma observação hermética sobre algumas coincidências essenciais na vida e carreira de Pratt (iniciado na Maçonaria em 1976, na loja veneziana Hermes) e a sua ligação insuspeita ao Monstro de Frankenstein.

Poderão encontrar esta edição do fanzine Efeméride em todas as livrarias especializadas em banda desenhada, assim como pedi-la directamente ao editor Geraldes Lino: geraldes.lino [at] gmail.com.

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(Desenho da capa: Regina Pessoa.)

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Cadernos de Daath Wed, 16 May 2012 12:43:05 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8039
<![CDATA[As Leituras do Corvo :: Novidades Planeta para Maio]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8038 As Leituras do Corvo

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Enquanto trabalha na restauração do Pórtico da Glória de Santiago de Compostela, Julia Álvarez recebe uma notícia devastadora: o marido foi sequestrado numa região montanhosa do Nordeste  da Turquia.  
Sem o desejar, Julia vê-se envolvida numa intriga ambiciosa  à escala mundial, para controlar duas pedras antigas, que aparentemente permitem o contacto com entidades sobrenaturais, desde uma misteriosa seita oriental até ao presidente dos Estados Unidos.

Javier Sierra  nasceu em Teruel, Espanha, em 1971. As suas obras estão traduzidas em mais de quarenta línguas e são fonte de inspiração para muitos leitores que procuram algo mais do que livros de entretenimento e aventuras. 
Formado em jornalismo, foi director da revista Más Allá de la Ciência durante sete anos, além de apresentador e director de programas de rádio  e televisão. 
Neste momento dedica-se à investigação histórica. 

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Prossegue a Guerra Civil. Mas Stefan Salvatore trava aos dezassete anos o seu próprio combate.  
Noivo de alguém que não ama, Stefan apaixona-se por uma misteriosa rapariga chamada Katherine.  
Com os seus caracóis lustrosos  e olhos castanhos maliciosos, Katherine  é bela e sedutora… mas possui também um negro segredo: é vampira. 

Lisa Jane Smith, cujas obras são uma combinação de género de terror, ficção científica, fantasia e romance, obteve o reconhecimento do público com a série Crónicas Vampíricas, cujo primeiro volume é Despertar. 
Publicado nos anos de 1990 e convertido numa referência da literatura juvenil de terror, retoma o clássico tema da luta entre Luz e Sombra, dos seus adorados C. S. Lewis e J. R. R. Tolkien.  
Segundo palavras da autora, «Queria escrever livros onde o Bem enfrenta o Mal e vence. Queria ser Frodo, morto de medo em Mordor, consciente de que o Mal que enfrenta é muito maior e mais poderoso do que ele, e mesmo assim é capaz de reunir a coragem necessária para tentar e chegar a ser um herói. Queria transmitir aos jovens que não devem renunciar à esperança.»
L.J. Smith já escreveu mais de duas dezenas de livros para crianças  e adultos. 

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Mandamos os miúdos para a escola  e ficamos obcecados com os resultados que obtêm nos testes e a sua capacidade de se «encaixarem». 
Pomos um anúncio para um emprego  e exigimos experiência, universidades famosas  e um historial de evitar o fracasso.  
Investimos em empresas com base nos resultados do último trimestre, não naquilo que vão fazer no futuro. Então por que motivo nos surpreendemos quando tudo se desmorona? 
A nossa economia não é estática, mas agimos como se fosse. O nosso lugar no mundo  é definido pelo modo como instigamos  e provocamos e por aquilo que aprendemos com os acontecimentos de que somos causadores.  
Num mundo repleto de mudança, é isso que conta – a sua capacidade para criar e para aprender com a mudança. 
Seth Godin, um guru do marketing e dos negócios, considerado o blogger mais influente do mundo, concentra a sua larga experiência neste livro que nos ensina e encoraja a seguir em frente, a ter fibra e paixão de realizar. 
Numa linguagem directa e simples, Tomar a Iniciativa é um estímulo à nossa capacidade de agir, de inventar e de não seguir o status quo. Este livro incita-nos a avançar. 

Seth Godin é autor de doze best-sellers e de um blogue muito popular, além de ser um empresário de êxito.  
Os seus livros estão traduzidos em mais de 35 línguas. É fundador de Squidoo.com, um dos cem websites  mais populares dos Estados Unidos. 
Godin escreve para a Fast Company e para a Harvard Business Revue   e já fez milhares de conferências para empresas, governos e organizações sem fins lucrativos. 

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Hessel e Morin, de 94 e 90 anos respectivamente, não perderam a vivacidade do espírito de luta combativa na Resistência, e apregoam a uma só voz «uma política de desejar viver e do reviver que nos arranque de uma apatia e de uma resignação fatais». 
Os dois nonagenários apelam a que se ultrapassem  as barreiras ideológicas para se encontrarem soluções para a Europa saia da crise.  
Através de propostas concretas ensinam como a criação de um governo mundial, a revitalização da solidariedade, a criação de Casas de Fraternidade, o desenvolvimento da economia plural, assim como a implementação da reforma laboral e democratização do ensino e, sempre que necessário, a procura do bem-estar que tem grande importância para as pessoas. 

Stéphane Hessel nasceu em Berlim em 1917, mas viveu sete anos em Paris.  Em 1939, começou os seus estudos na faculdade, mas dois anos depois é mobilizado e mais tarde juntou-se à Resistência. Preso pela Gestapo em 1944, consegue fugir de uma morte anunciada em Buchenwald.  Depois da guerra, tornou-se diplomata, começando a colaborar com as Nações Unidas. Em 1948, faz parte da equipa que elaborou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.  
Pioneiro da ONU, embaixador de França, ligado aos Negócios Estrangeiros e depois ao programa das Nações Unidas para o desenvolvimento, Hessel encarna uma espécie de civismo mundial que o leva a empenhar-se alternadamente em prol dos direitos do homem, dos ilegais e dos sem-abrigo, da luta contra as desigualdades e até do conflito israelo-palestiniano.  É autor de Indignai-vos!  e Empenhai-vos! (Planeta, 2011). 

Edgar Morin (Paris, 1921) é um filósofo e sociólogo francês, autor da Teoria do Pensamento Complexo. Na sua juventude juntou-se à Resistência contra a invasão alemã. A maior parte da sua carreira foi no Centro Nacional de Investigação Científica de França. É autor de várias obras de referência. 
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As Leituras do Corvo Wed, 16 May 2012 10:19:40 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8038
<![CDATA[A Lâmpada Mágica :: Lido: A Peste Negra]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8037 A Lâmpada Mágica
A Peste Negra (bib.), conto fantástico de Gomes Leal, é uma daquelas histórias de que eu não consigo gostar nem com uma pistola apontada à cabeça. Romanticíssimo, pleno de sentimentalismo e frases de efeito que até poderão ser muito redondinhas, muito poéticas, mas nada adiantam para a história que aqui se conta, relata uma tragédia de faca e alguidar sobre um homem que se perde de amores por uma moribunda, atacada da peste negra do título, e depois como que absorve a doença, passando a levar consigo a tragédia para onde quer que vá. O desfecho, claro, é tenebroso, e portanto previsível mesmo tendo o autor tentado criar um final surpreendente.

Não, mil vezes não. Isto está mais ou menos precisamente nos antípodas do que me agrada ler. Quem tiver um gosto oposto ao meu é possível que adore.

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Jorge Candeias Wed, 16 May 2012 00:12:00 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8037
<![CDATA[A Lâmpada Mágica :: Lido: Ensaio Sobre a Lucidez]]> http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8036 A Lâmpada Mágica
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Ensaio Sobre a Lucidez (bib.), é o primeiro (e julgo que único, se bem que, não os tendo ainda lido todos, não arrisque afirmá-lo) romance de José Saramago que funciona como sequela direta de uma obra anterior, ao ponto de apresentar algumas das mesmas personagens do Ensaio Sobre a Cegueira. Os acontecimentos deste livro desenrolam-se na mesma cidade, capital de um país imaginário com inquietantes semelhanças com Portugal, alguns anos depois dos do primeiro Ensaio, e há, entre os dois, uma relação quase de yin-yang, que aliás já está expressa nos próprios títulos. A cegueira branca do primeiro livro é aqui substituída por outro tipo de brancura, a brancura do voto, provocada por uma generalizada recusa por parte do eleitorado em pactuar com uma classe política que não responde às suas ansiedades e desejos e por isso comparece em massa a uma eleição, não para votar num dos três partidos em compita (o PDE, da Esquerda, pequenino, o PDM, do Meio, grande mas minoritário, e o PDD, da Direita, no governo), mas para lhes voltar costas, votando em branco.

A primeira parte do romance mostra a perplexidade dos governantes com o que está a acontecer, e é, a meu ver, a parte menos interessante. Mas quando o governo decide, como forma de punir os habitantes da capital, abandoná-la, retirando-se não só a si, mas a todos os instrumentos de autoridade do Estado, deixando-a isolada, entregue a si própria (embora mantendo-a fornecida dos produtos e serviços necessários à vida quotidiana), o romance começa a ganhar interesse, e maior ele se torna quando sobe à ribalta um grupo de três polícias, encarregados de investigar o grupo que o Ensaio Sobre a Cegueira acompanhou, depois de um dos membros desse grupo ter denunciado os restantes por intermédio de uma carta onde insinuava que eles seriam responsáveis pela "epidemia" de votos em branco.

O resultado é que este romance vai em crescendo, do início ao fim, e, na verdade, as páginas mais tremendas, mais terríveis, mais bem conseguidas, são as últimas. É uma alegoria fantástica, claro. Já o Ensaio Sobre a Cegueira o era, embora pudesse perfeitamente ser também visto como um livro de ficção científica. Neste segundo Ensaio, contudo, o caráter alegórico acentua-se e a ligação à FC esmorece bastante. Se no primeiro Ensaio tudo era rigorosamente credível, se havia uma sensação de verosimilhança em tudo o que era descrito, se a cegueira branca, cuja origem nunca é explicada, se espalha com a clássica propagação de qualquer epidemia, neste segundo Ensaio não. Aqui, temos um sobressalto cívico em que participa de forma espontânea uma parcela significativa da população. Ora, se é credível que uma epidemia de origem desconhecida se espalhe como é próprio das epidemias espalhar-se, se é mesmo credível que essa epidemia se cure sozinha depois da doença chegar ao fim do seu ciclo, como acontece a qualquer doença benigna, já não parece nada verosímil que oitenta porcento da população de uma cidade decida de um momento para o otro voltar costas à sua classe política e votar em branco. Porque nada separa mais as pessoas umas das outras do que as ideias que têm na cabeça. E porque estas têm muitas vezes raízes suficientemente profundas para resistirem até à mais óbvia das evidências.

E esta inveromilhança básica, parece-me, mina todo o romance e reduz o impacto que ele poderia ter. Porque Saramago pretende mostrar como um regime na aparência democrático tem no seu seio as raízes do totalitarismo, como os líderes, privados da autoridade convencional que o voto confere, facilmente resvalam para a autoridade da força, como a decência corre riscos fatais quando confrontada com canalhas. E mostra, com eficácia crescente ao longo do romance. Mas a inverosimilhança da base, do início de tudo, faz com que o leitor encare o resto com dúvidas. Se o que dá origem ao romance não permite suspender a descrença com eficácia, mais difícil se torna suspendê-la com o resto. E isso, a meu ver, diminui o impacto do livro. Diminui a sua eficácia enquanto questionamento da realidade em que vivemos.

Por outro lado, a partir de uma certa altura os acontecimentos vão-se desenrolando com a inexorabilidade de um acidente ferroviário, e o comissário de polícia que se transforma em protagonista é uma das grandes personagens de Saramago. A segunda metade do livro é, realmente, muito boa, e o final, então, é soberbo. Ensaio Sobre a Lucidez não será dos melhores livros do seu autor, e decididamente não é um romance perfeito. Mas é um bom livro. Poderia ser melhor? Julgo que sim. Mas é bom.

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Jorge Candeias Tue, 15 May 2012 21:47:00 +0000 http://fantasticas.odisseias.net/single.php?id=8036